Quando vi nas redes sociais do Festival Psica que meu nome estava entre os 18 artistas selecionados, senti uma mistura de emoção e alívio. Era o segundo ano que eu me inscrevia. Em 2025, não fui selecionado, e aquilo me deixou triste, porque eu acredito muito no meu trabalho, mas também pensei “Bola pra frente”. Então, dessa vez, quando vi meu nome ali selecionado, foi como se tudo ganhasse sentido.
A alegria veio forte, mas junto dela também veio a realidade: eu tinha cerca de uma semana pra organizar tudo.
Foi uma correria intensa. Precisei ajustar o repertório no estúdio, condensar o show do Baile Amazônico em apenas 15 minutos, ensaiar com a banda, com o balé e ainda cuidar dos figurinos. Foi uma semana extremamente cansativa, daquelas que testam a gente de verdade.
Na semana seguinte, a ansiedade começou a bater mais forte. Mesmo assim, eu estava confiante. Foi quando decidimos registrar tudo em vídeo. Mesmo com poucos recursos, fiz um esforço grande pra garantir a gravação e levar toda a equipe pra Belém.
No dia 5 de março, viajamos em dois carros. Chegamos bem e fomos direto pra passagem de som. Fomos recebidos pela equipe do festival com muito carinho e profissionalismo, isso me marcou muito. A passagem de som foi ótima e conseguimos alinhar tudo direitinho. Depois disso, fomos descansar um pouco.
À noite, chegamos ao Palafita por volta das 23h. Mais uma vez, fomos muito bem recebidos. Encontrei amigos, artistas que admiro e isso deu ainda mais energia pro momento.
Quando chegou a hora do show, confesso que bateu aquele frio na barriga. Um nervosismo natural, mas junto com uma confiança grande. Eu estava cercado de músicos incríveis da cena paraense, amigos que eu respeito muito, além da minha equipe maravilhosa do balé.
Quando o show começou, foi mágico. Todo mundo entrou junto, vibrou, se entregou. A energia foi lá em cima. A recepção do público foi linda, cheia de carinho. Naquele momento, eu senti que tudo estava sendo recompensado
Quando terminou, a primeira coisa que fiz foi agradecer a Deus. Ali eu tive certeza de que todo esforço tinha valido a pena.
No dia seguinte, fui pro Motins. Foi uma experiência incrível poder conversar com pessoas da música, representantes de gravadoras, selos e festivais do Brasil todo. Foi uma honra estar ali.
Voltamos pra Cametá com a sensação de dever cumprido, mas sabendo que o trabalho ainda não tinha acabado.
Vieram dias intensos de edição. Trabalhei o áudio com o Juninho Cametá e depois o vídeo com o Erisson Guimarães. Foi um processo cuidadoso, cheio de dedicação.
Quando vi o resultado final, fiquei emocionado. Um show ao vivo, gravado na correria, com poucos recursos, mas com muita verdade, tinha se transformado em algo lindo.
Eu sou um cara muito esforçado. Gosto de fazer tudo bem feito. E mesmo assim, às vezes bate o cansaço, dá vontade de desistir. Mas desistir não é uma opção.
Eu amo o que faço. Amo levar a minha música pra vocês.
Eu confio no meu trabalho. E faço tudo com o coração.
Se você tá acompanhando, eu só tenho a agradecer. De verdade.
E continua comigo, porque isso é só o começo.


