Walder Wolf

Ter orgulho de Cametá não é exagero, é consciência.

Eu tenho muito orgulho de Cametá, e não falo isso por acaso, falo com consciência. Eu sei que um povo que não valoriza a própria cultura acaba se perdendo de si mesmo, vira uma cópia mal feita de outras realidades e esquece a própria história. E pra mim isso não é evolução, é apagamento.

Eu não aceito quando tentam diminuir a nossa forma de falar. A linguagem cametaense não é erro, não é feia, não é inferior. Pra mim, ela é identidade, é memória viva, é herança. Quem critica isso pode até achar que está certo, mas na verdade só mostra que não entende o valor de uma cultura.

Eu reconheço que a norma culta existe e tem sua importância, claro que tem. Mas eu não aceito que ela seja usada pra oprimir ou desvalorizar o jeito de um povo se expressar. Falar “certo”, pra mim, não é falar igual a todo mundo, é conseguir se comunicar sem precisar esconder quem eu sou.

Eu, particularmente, não falo com sotaque. Mas isso não me coloca acima de ninguém, muito pelo contrário. Eu respeito profundamente quem fala, principalmente os ribeirinhos e as comunidades mais tradicionais, que carregam na fala uma história viva, uma identidade que merece ser valorizada, não julgada.

Se alguém sente vergonha da própria forma de falar, eu não julgo essa pessoa, eu entendo que ela foi ensinada a se sentir assim. Mas eu acredito que isso precisa mudar.

Cametá é única. Nossa linguagem é única. Nosso povo é único. E eu vejo nisso força, beleza e resistência. Valorizar o que é nosso, pra mim, não é se fechar pro mundo, é ter identidade dentro dele.

Se alguém não fala, tudo bem. Mas eu faço questão de respeitar quem fala, porque cada palavra carregada do nosso jeito é também um ato de resistência.

No fim das contas, eu me pergunto: eu quero só me encaixar ou eu quero pertencer?

E eu já escolhi. Eu prefiro pertencer.

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